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terça-feira, 16 de maio de 2017

APRENDA A VENCER AS CRISES DE ANSIEDADE! 8 DICAS

Tenho cada vez mais nas consultas pacientes a relatarem experiencias muito angustiantes de ansiedade. Frequentemente dizem-me "tenho crises de ansiedade" para se referirem ao desconforto que sentem na vivência de um ataque de pânico. Bem sei que já vos falei algumas vezes desta problemática mas realmente tem surgido tantas vezes nas sessões e causa um impacto tão negativo nas vidas de todos e de cada um que resolvi partilhar com vocês dicas bem práticas para lidarem com esta situação.

Antes das dicas propriamente ditas deixem-me partilhar o que entendemos por um ataque de pânico. 

Um ataque de pânico é definido por um período de tempo inesperado de medo ou desconforto intenso, que atinge o pico sensivelmente em dez minutos e faz-se acompanhar por, pelo menos, 4 de 13 sintomas somáticos: batimento cardíaco acelerado, tonturas, formigueiro, dores de barriga, tremores ou cognitivos: medo de morrer, medo de enlouquecer e/ou perder o controlo (APA, 2014) |entre outros|. 

IMPORTA ENTÃO LEMBRAR QUE:

- pensar não é igual a acontecer - um pensamento é apenas e só isso - um pensamento;
- a ansiedade segue uma curva de distribuição normal o que significa que enfrentando a situação temida, progressivamente, vamos experienciando níveis menor de ansiedade;
- podemos estar a catastrofizar a a fazer uma interpretação distorcida da realidade - muitas vezes o confronto com a evidência mostra-nos  efetivamente que sim;
- devemos desconfiar dos nossos pensamentos catastróficos;
-devemos lembrar-nos do que aconteceu nas outras vezes que nos sentimos assim;


AJUDA:

- praticar distração ativa (por exemplo descrevermos mentalmente um objeto) - redirecionar o foco;
- fazer respiração diafragmática;
- fazer relaxamento;

Claro, não deixem de consultar um profissional especializado.


 a vossa psicóloga!
Encontram-me no 5 Sentidos |aqui| e no Centro Clínico de Aveiro
                                                         euelesnosevoces@gmail.com!!

terça-feira, 18 de abril de 2017

HOJE FOI ASSIM. DIÁRIO DE UMA PSICÓLOGA #7 SERÁ QUE VOU MORRER?


Depois de alguns dias de descanso foi hora de regressar ao trabalho. É tão bom e gosto tanto. Quando temos oportunidade de fazer aquilo de que gostamos com paixão e empenho parece que tudo corre sobre rodas. Também sentem isso? Espero que sim. :)

Hoje gostava de vos falar de um assunto que traz muitos adultos e alguns jovens à consulta de psicologia clínica. A Perturbação de Pânico. Já ouviram falar? Pois é, esta vivência de ansiedade excessiva causa uma angustia enorme e tem um impacto muito negativo em algumas vidas e em alguns lares. Fruto normalmente de uma interpretação catastrófica de uma sensação física muitos de nós sentem-se assustados e acreditam que podem morrer, enlouquecer ou até quem sabe... perder os sentidos.

Costumam descrever que "têm uma crise" e que sentem alguns destes sintomas:
  • Suores
  • Taquicardia
  • Sensação de desmaio
  • Dores abdominais
  • Tremuras
  • Sensação de falta de ar
  • Náuseas
  • Desconforto no peito
e têm muito medo.... mesmo muito medo, de de ter outra crise semelhante à que tiveram, razão pela qual inúmeras vezes começam a evitar determinados sítios com receio de estes serem "perigosos" ou de não terem quem os possa socorrer em caso de aflição (agorofobia). 

Acreditem, um Ataque de Pânico é das experiências mais desconfortáveis que se podem ter. Se se identificarem com alguma situação descrita ou conhecerem alguém com alguns destes sintomas, procurem ajuda especializada. A solução existe e muitas vezes está bem mais perto do que podemos pensar. Em nós!

Hoje esta foi a problemática de uma das "nossas" sessões.  É bom ver a mudança acontecer!

Critérios diagnósticos para a Perturbação de Pânico:
"Para o diagnóstico, exige-se a presença de ataques de pânico, recorrentes e inesperados, bem como o facto de pelo menos um desses ataques de pânico ter sido seguido de um mês (ou mais) de uma ou mais das seguintes características:
  • Preocupação persistente com a possibilidade de ter novo ataque
  • Preocupação relativamente às implicações ou consequências do(s) ataque(s) de pânico (exemplo: perda de controlo, ter um ataque cardíaco, enlouquecer)
  • Uma modificação significativa no comportamento relacionado com os ataques de pânico
Além disso, os ataques de pânico não se podem dever aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância ou a uma situação médica. Também se exclui um diagnóstico de perturbação do pânico quando a sintomatologia é melhor enquadrada noutra perturbação da ansiedade."
(informação retirada da Oficina de Psicologia)


Espero ter ajudado!







a vossa psicóloga!
Encontram-me no 5 Sentidos |aqui| e no Centro Clínico de Aveiro


                                                         euelesnosevoces@gmail.com!!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

QUANDO AS PESSOAS NOS METEM MEDO!

Numa análise rápida poderíamos pensar que o mote atribuído a este artigo tem algo de descabido. Ter medo de pessoas iguais a nós? Receio de indivíduos que pertencem à mesma espécie? Não, nem pensar. Medo é para sentirmos quando avistamos uma cobra ou quando um cão nos mostra um ar ameaçador. 

Na verdade sentimos sim, inúmeras vezes, receio de pessoas, medo relativamente aquilo que elas pensarão de nós e receio de fazer as coisas mal e nos colocar “a jeito” para receber comentários ou opiniões menos positivas. A este medo chamamos ansiedade social. 

Quando procuramos a sua origem nas prestativas evolutivas verificamos que tem por base as hierarquias de dominância-submissão, ou seja, de comparação social (Gilbert & Trower, 2001; Marshall, 1994). Efetivamente a resposta de ansiedade está relacionada com a integração do indivíduo no grupo, levando a que este se mantenha preocupado acerca da forma como os seus comportamentos, discurso e/ou aparência terão impacto nos outros (Gilbert, 2001). 

Como qualquer resposta de ansiedade verificamos aspetos positivas neste mecanismo automaticamente desencadeado, porém, quando a ansiedade toma proporções exageradas, leva a interferência no funcionamento habitual do sujeito e experiências prolongadas de grande desconforto e desgaste emocional (Cunha, Pinto Gouveia, & Soares, 2007). Assim, a ansiedade social adaptativa e funcional distingue-se da perturbação de ansiedade social (PAS), em termos das suas manifestações, ou seja, em termos da frequência e intensidade com que sujeitos experienciam os sintomas de ansiedade (Kearney & Drake, 2002).

De acordo com os critérios do DSM-5 a PAS caracteriza-se como um medo intenso e duradouro de uma ou mais situações de sociais e de desempenho em que o sujeito se encontra exposto à observação dos outros e experiencia o medo de se comportar de forma humilhante ou embaraçosa. A ansiedade sentida não é proporcional à ameaça real e as situações sociais e de desempenho são evitadas ou enfrentadas com grande mal-estar. A perturbação de ansiedade social só é diagnosticada quando a ansiedade se torna tão intensa e generalizada que causa um sofrimento significativo ou prejudica a capacidade de funcionamento do indivíduo. 

Esta perturbação afeta quer crianças e adolescentes como adultos. No primeiro caso são frequentes as recusas em ler em voz alta perante a turma, realizar exercícios no quadro, apresentar oralmente um livro à turma e realizar qualquer exercício quando está perante o olhar atento da professora. Em contexto social verifica-se um predominante isolamento e dificuldades pelo estabelecimento de relações com colegas e tentativas constantes para passar o mais despercebido possível.  Quando manifestada pelos adultos verifica-se a preferência por tarefas a realizar isoladamente em detrimento do trabalho de grupo, tentativas de fuga perante contatos sociais, dificuldades em ir a entrevistas de emprego, dificuldade em manter o contato ocular com o outro ou mesmo em andar em transportes públicos. 

A perturbação de ansiedade social é, independentemente da faixa etária do sujeito, altamente interferente no dia-a-dia e dificulta de forma acentuada a sua integração e sucesso social e profissional/académico. 

No que se refere à intervenção clínica sabemos pelos estudos efetuados que a intervenção cognitivo-comportamental é aquela que mais eficaz se mostra na redução dos sintomas de ansiedade e na promoção do ajustamento emocional do sujeito, essencialmente através das seguintes estratégias:


- Promover o reconhecimento das manifestações de ansiedade e conhecimento de estratégias para responder ajustadamente;
- Promover as competências de reconhecimento e substituição dos Pensamentos Automáticos Negativos geradores de ansiedade;
- Promoção da aquisição de estratégias para o envolvimento progressivo em situações geradoras de ansiedade por forma a reduzir os comportamentos de evitamento.

​É de salientar que em algumas situações poderá ser necessário o recurso a terapia medicamentosa como terapêutica coadjuvante à psicoterapia.  

​Consegue rever-se nas características apresentadas?
​Sente estas dificuldades no seu dia-a-dia?

Deixamos algumas dicas práticas que podem ajudar!!!

  1.  Evitar as situações temidas não é uma boa estratégia. No momento parece resultar mas a longo prazo permite manter e generalizar o problema.
  2.  Pense que todos estão sujeitos a falhar e que isso não tem nada de mais;
  3. Observe situações em que os outros também falharam e atente aos seus pensamentos relativos a essa pessoa. Não são assim tão maus pois não?
  4. Quando tiver uma situação social programada prepare-se o melhor possível de forma a sentir-se confiante. Porque não treinar aquela apresentação em frente ao espelho?
  5. Lembre-se sempre que a ansiedade é desconfortável mas tal como subiu acaba por descer e não há nada de mal que lhe possa acontecer.
  6. Se estas estratégias não estiverem a resultar e o problema se mantiver procure um profissional especializado que o posso ajudar!!!!


Cátia Morais
Psicóloga Clínica
Encontram-na |aqui| 
5 Sentidos - Espaço de Reabilitação e Intervenção PsicoEducacional

Bibliografia consultada:

American Psychiatric Association. (2013). Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais: DSM-V. Washington, DC: Climepsi Editores.

Cunha, M., Pinto-Gouveia, J., & Soares, I. (2007). Natureza, frequência e consequências dos medos sociais na adolescência: Dados na população portuguesa. Psychologica, 44, 207-236.

- Gilbert, P. (2001). Evolution and social anxiety. The role of attraction, social competition, and social hierarchies. Psychiatric Clinics of North America, 24(4), 723-751. DOI: 10.1016/S0193-953X(05)70260-4.

- -Gilbert, P., & Trower, P. (2001). Evolution and process in social anxiety. In W. Croizier & L. E. Alden (Eds.), International handbook of social anxiety: Concepts, research, and interventions relating to the self and shyness (pp. 259-280). New York: Wiley.

Kearney, C. A. & Drake, K. (2002). Social Phobia. In M. Hersen. (Eds.), Clinical Behavior Therapy Adults and Children. (pp. 326-344). New York: John Wiley & Sons

- Marshall, J. R. (1994). Social phobia: from shyness to stage fright. New York: Basic Books.