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quarta-feira, 11 de abril de 2018

AJUDA O TEU FILHO A SER MENOS IMPULSIVO: A TÉCNICA DO SEMÁFORO!

Muitos pais partilham comigo nas consultas que os seus filhos são impulsivos. Costumam dizer-me que os filhotes têm a resposta na ponta da língua, reagem muitas vezes sem pensar, fervem em pouca água refletindo pouco nas consequências dos seus comportamentos o que lhes traz alguns dissabores a curto/médio prazo quer ao nível social quer no âmbito escolar em termos dos seus desempenhos. 

Desta forma e com intuito de os ajudar a auto-regularem-se aprendendo a identificar os estados emocionais que antecedem os ditos "episódios de impulsividade" partilho com eles a técnica do semáforo. Conhecem? O objetivo desta técnica (tal como acontece no semáforo) é aprender a Parar, Pensar e só depois Agir associando o estado emocional e comportamental a um estímulo visual: a cor.

Assim, sempre que a criança estiver irritada/zangada é importante ensiná-la a identificar quais os sinais que o seu corpo lhe está a dar e nesta fase importa: Parar - Vermelho.

Só depois de Parar e de se auto-gerir, acende a luz Amarela que significa Pensar. Esta é a fase em que a criança deve ser ajudada a refletir sobre quais as possíveis consequências perante determinado tipo de comportamento que possa eventualmente escolher (primeiro hetero-guiado por um adulto e depois, progressivamente, deve ser capaz de fazer o treino auto-instrucional isto é falar consigo próprio). Só depois desta fase de reflexão deve Avançar associando-se a ação comportamental à luz verde.

Esta é uma técnica que funciona muito bem com crianças em idade escolar ajudando-os a lidar com as emoções de forma mais positiva ajustando eficazmente o seu comportamento. Uma boa forma de a aplicar é desenhar um semáforo com a criança explicando-lhe todas as etapas a utilizar em situações de maior descontrole e impulsividade. 

Esta técnica melhora claramente o comportamento impulsivo das crianças pois ajuda os mais pequenos a internalizarem as regras de forma saudável, aumentando a tolerância à frustração.

a vossa psicóloga,
Encontram-me no 5 Sentidos e no Centro Clínico de Aveiro!
euelesnosevoces@gmail.com

domingo, 11 de março de 2018

O QUE O TEU FILHO DEVE SABER ANTES DE ENTRAR NA ESCOLA PRIMÁRIA! 15 DICAS

A entrada no primeiro ano do primeiro ciclo de escolaridade é uma etapa muito importante na vida das famílias e ainda que não deva ser assim a verdade é que assusta muitos pais e consequentemente, crianças por diferentes motivos.

É frequente andar toda a gente lá por casa ansiosa, angustiada e a fervilhar de dúvidas e preocupações. E é claro, se nós pais estamos nervosos eles naturalmente têm que estar - comportamento gera comportamento e como já sabem estamos sempre a modelar. Por esta razão a primeira dica que vos quero deixar é tenham calma pois a vossa tranquilidade será a segurança deles e ajudará a que tudo corra de forma mais calma e pelo melhor.


Mas afinal o que devem saber os miúdos antes de entrarem no primeiro ciclo? Que competências devem ter adquiridas para que o processo de aprendizagem não seja um bicho-papão?


IDEIAS CHAVE:

- A entrada no primeiro ano deve depender mais do desenvolvimento global da criança do que propriamente da sua idade cronológica;

- Cada criança é única. Logo, com um ritmo de desenvolvimento e aprendizagem próprio: não devemos comparar mas sim olhar para ele/a no seu todo!

- As crianças devem estar motivadas e disponíveis emocionalmente para esta nova etapa, manifestando curiosidade;

- Escutem o que o educador que sempre o/a acompanhou tem para vos dizer;

- Perceba se o seu/ a sua filhote/a sabe e consegue:

  1. Estar atento durante o período de tempo necessário para a concretização com sucesso da tarefa ou se pelo contrário tem ainda muitos bichos-carpinteiros;
  2. Aguardar pela sua vez;
  3. Dizer o nome, idade e dados pessoais;
  4. Nomear os dias da semana, meses e estações do ano;
  5. Contar mecanicamente e associar o número à quantidade;
  6. Fazer a divisão silábica ex.: SA-PA-TO e manipulação silábica: ex. : se à palavra Serpente retitrar o bocadinho - Ser que palavra fica?;
  7. Categorizar diferentes elementos: diz-me alguns meios de transporte e agora alguns desportos?
  8. Recontar uma história;
  9. Escrever e identificar o nome visualmente;
  10. Identificar as figuras geométricas;
  11. Nomear o melhor amigo e participar nas brincadeiras de grupo;
  12. Possui noções de grandeza e faz cálculos simples;
  13. Cumpre as regras; 
  14. Em termos grafomotores tem uma boa coordenação óculo-manual?
  15. É autónomo na hora das refeições e nas idas ao quarto de banho?

Espero que vos tenha sido útil!

Partilhem comigo as vossas dúvidas e dicas!



a vossa psicóloga,
Encontram-me no 5 Sentidos e no Centro Clínico de Aveiro!
euelesnosevoces@gmail.com



sábado, 10 de março de 2018

PÁRA DE LHES DIZER NÃO! DÁ UMA OPORTUNIDADE AO SIM.

Este fim-de-semana como partilhei com vocês ontem estive com um grupo fantástico a refletir sobre as ferramentas que diariamente usamos na gestão comportamental das nossas crianças. Das muitas questões que curiosamente se suscitaram (e nos levaram noite fora!), uma delas prendeu-se com a pertinência (ou não) de dizermos Não aos miúdos. 

Acerca deste aspecto concluímos que é importante criar oportunidades para dizermos antes Sim uma vez que o nosso cérebro processa "contrariamente" esta instrução. Ora experimentem...

Tentem durante um minuto não pensar num elefante cor-de-rosa com óculos pretos... tentem... vá lá...

estão a pensar? ;) 

.... se se esforçarem conscientemente para não pensarem o que acontece?

Exatamente!! A imagem do elefante não nos sai da cabeça. Portanto, sempre que dizemos aos pequenotes para Não fazerem isto ou para não fazerem aquilo o que normalmente acontece é que o nosso cérebro processa a informação muitas vezes, se não quase sempre, em sentido contrário...

Logo, importa antes colocar o nosso discurso pela positiva. Algo do género: - "eu gostava que tu arrumasse os teus brinquedos invés de: não desarrumes mais isso!"

Fica a dica!


a vossa psicóloga,
Encontram-me no 5 Sentidos e no Centro Clínico de Aveiro

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

DISCIPLINA: 6 REGRAS PARA OS MIÚDOS SE PORTAREM BEM!

Todos nós sabemos que educar é uma tarefa exigente e requer muito amor e paciência. Para que tudo corra pelo melhor e os miúdos cooperem mais facilmente connosco há assim "uns pózinhos de perlim-pim-pim" a utilizar. Que são:

- Não prometa aquilo que não pode cumprir;

- Atribua consequências lógicas e não castigos;

- Valorize pequenos progressos;

- Seja constante; 

- Esteja presente;

- Seja o exemplo;

Quando cumprimos aquilo que estipulamos (mesmo que por vezes nos custe!), quando existe uma ligação entre o comportamento e o que a criança recebe a seguir, quando estamos presentes para apoiar e "estar" verdadeiramente bem como quando elogiamos o esforço a mudança comportamental acontece e o nosso dia-a-dia com os mais pequenos é bem mais fácil.

Sem humilhações ou recurso à violência tudo acaba por funcionar melhor.

Fica a dica!


a vossa psicóloga!
Encontram-me no 5 Sentidos e no Centro Clínico de Aveiro.
euelesnosevoces@gmail.com



terça-feira, 9 de janeiro de 2018

EDUCAR SEM BATER! SERÁ ISSO POSSÍVEL?!

Todos nós sabemos que educar é hoje (se calhar sempre foi!) um grande desafio para as famílias. E, embora pareça o contrário, as nossas crianças não nos querem assiiiiiiim tanto "tirar do sério".

Não se chateiem comigo mas a verdade é que Elas, a maioria das vezes, não o fazem "de propósito" como tantas vezes se ouve e quase sempre o seu comportamento deve-se só mesmo à fase de desenvolvimento em que se encontram. Nada + do que isso.

Eu sei que numa cultura em que o respeito quase que pressupõe ter medo e educar sem bater parece uma miragem pode não ser fácil perceber mas sim, é possível. É isso que preconiza o modelo da Parentalidade e Educação Positiva da coach Magda Dias. A bem dizer se não precisamos de ser permissivos para educar também não necessitamos de educar com recurso à palmada e à humilhação. Existem outras formas. So true!  

Ouvimos muito falar em Parentalidade e Educação positiva e isso traduzido por "miúdos" será na verdade o quê?

Segundo esta filosofia na qual está presente o respeito mútuo, o vínculo, a parentalidade pró-ativa, a liderança empática e educar sem punir, parte-se do pressuposto que as nossas crianças devem crescer seguras emocional e fisicamente num contexto de afetos, onde os pais enquanto agentes educativos respeitam o ritmo de desenvolvimento da criança. Assim ao compreenderem o que acontece em cada etapa do neurodesenvolvimento é mais fácil gerir os diferentes tipos de comportamento (deles e consequentemente, o nosso!), pois quando sei que os pequenotes deitam os brinquedos ao chão porque faz parte do processo de exploração e não querer comer é típico da fase dos dois anos mais facilmente me auto-regulo e me controlo. Da mesma forma quando tenho presente qual o meu papel enquanto educador sou firme e consistente e não cedo só para que a birra não aumente. 

Logo, educo sem bater quando:

- sou contingente na minha resposta comportamental e emocional;
- trabalho a relação diariamente com os meus filhos - o que promove a cooperação;
- não cedo perante chantagem ou manipulação;
- conheço as diferentes fases do desenvolvimento;
- ensino e modelo estratégias de inteligência emocional!


a vossa psicóloga!
euelesnosevoces@gmail.com
Encontram-me no 5 Sentidos e no Centro Clínico de Aveiro!



domingo, 7 de janeiro de 2018

PAIS CONSCIENTES - FILHOS FELIZES!

Espero que se encontrem bem e cheios de energia para driblar as situações mais desafiantes aí por casa! ;) Hoje a psicóloga Cátia Morais da equipa que coordeno no 5 Sentidos - Espaço de Reabilitação e Intervenção Psicoeducacional, traz-nos uma sugestão de livro sobre o exercício da parentalidade! Conhecem?

Espreitem as ideias que ela partilha connosco!

Até já!

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Arriscaria dizer que quase a totalidade dos pais que recebemos em consulta clínica apontam como principal handicap do seu "desempenho parental" a ausência de TEMPO... Quase sempre se encontram presentes expressões como:

“Se eu tivesse mais tempo...” 
“O problema é que não tenho tempo.”
“As exigências do dia-a-dia são demasiadas e não sobra tempo.”

É bem verdade que o corre-corre dos nossos dias não nos facilita o desdobramento entre os papéis de trabalhadores, pais, amigos, homens/mulheres. Ainda é mais verdade que desempenhar todos estes papeis com a “perfeição” que almejamos torna a tarefa ainda mais complexa.

Mas será que usamos bem o TEMPO que temos??

Será mais relevante aproveitar o tempo para nos irritarmos com o nosso filho que pintou a mesa com lápis de cera ou aproveitarmos esse mesmo tempo para apreciar o maravilhoso desenho que eles nos ofereceu (pelo menos aos olhos dos pais ;-) )?? Temos tantas situações destas no nosso dia-a-dia, verdade ou não?

“Pais Conscientes... Filhos Felizes” é, como Daniel Goleman refere, um essencial manual de inteligência emocional para os pais. Alicerçado na terapia mindfulness, que preconiza a vivência do momento presente, este livro mostra com descrições reais e atividades práticas o papel da atenção plena no exercício de uma parentalidade consciente e recheada de ternura e afetos.

O novo ano está aí e podemos fazer melhor!!!

Vamos a isso? Fica a dica!


a vossa psicóloga
euelesnosevoces@gmail.com
colaboração: Cátia Morais - Psicóloga  Equipa 5 Sentidos

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

NÃO ESTRAGUES O TEU FILHO! PLEASE!

Hoje durante as consultas da tarde estive com alguns pequenotes com capacidades cognitivas médias mas com um comportamento verbal e não verbal "tão mas tão infantil" que não pude deixar de partilhar com os pais. Pareciam bem ter menos dois ou três anos do que a sua idade cronológica real... e sabem o que me assusta... é que tal devia-se em grande parte à sobreproteção excessiva que tinham em casa.


  • Miúdos que frequentemente lhe dão comida à boca.
  • Miúdos que de manhã não se vestem sozinhos.
  • Miúdos que lhe lavam os dentes.
  • Miúdos que lhe fazem a cama....


Tarefas que não são minimamente supostas na fase de desenvolvimento em que se encontram!

Temos agora:


  • Miúdos que agridem verbal e fisicamente os familiares mais próximos. 
  • Miúdos que chamam nomes, insultam, dão pontapés e desafiam constantemente.  
  • Miúdos que vêem todas as suas vontades satisfeitas mas que depois não sentem segurança e vivem perdidos nos seus medos e angústias aprendendo que não são capazes de atingir nada.
  • Miúdos que vão crescer a achar que podem ter tudo.
  • Miúdos que não são bem sucedidos na escola porque não estão com atenção concentrando-se antes em destabilizar.
  • Miúdos que têm dificuldade em ter amigos.
  • Miúdos, no fundo, infelizes.

Não podemos generalizar e não dúvido que todos à sua volta tenham a melhor das intenções mas a verdade é que estão a comprometer seriamente o futuro destas crianças.

Ainda bem que procuraram ajuda.

Partilho com vocês a entrevista do colega Javier Urra acerca deste tema.



a vossa psicóloga!
euelesnosevocês@gmail.com

Fonte de imagem: google


quarta-feira, 19 de julho de 2017

"ABAIXO OS AVÓS. E JÁ"!! DIÁRIO DE UMA PSICÓLOGA #8

Hoje foi dia de falar sobre a importância dos avós no desenvolvimento afetivo dos netos. A convite da Casa de Saúde Bento Menni, da EAPN - Portugal, núcleo distrital da Guarda e da Câmara Municipal deste mesmo distrito estive no Teatro Municipal em conjunto com a Professora Rosa Marina Afonso da Universidade da Beira Interior a refletirmos /com uma plateia extremamente entusiasta/ sobre este tema. 

Abordou-se a evolução dos sistemas familiares (como as famílias têm mudado ao longo dos tempos), do papel participativo ou não dos avós na vida dos netos e da preciosidade do seu tempo no aqui e no agora. Com efeito, numa epóca em que a esperança média de vida aumenta a olhos vistos os avós de hoje são bem diferentes dos avós de outrora mas o ingrediente fundamental para esta interação geracional continua a ser o mesmo: o Amor. 

Falámos ainda da importancia da criação de memórias positivas, do resgate das histórias familiares (valores e cultura) e da necessidade de cuidarmos do vínculo como pilar da educação e da formação de crianças saudáveis e felizes. 

Em jeito de conclusão partilhei um texto do colega e professor Eduardo Sá sobre o papel dos avós na vida das nossas crianças que é uma verdadeira delícia. 
Partilho também com vocês. 
Espero que gostem tanto quanto eu.

"Abaixo os avós! E já!" Ora leiam aqui!



a vossa psicóloga!
Encontram-me no 5 Sentidos e no Centro Clínico de Aveiro.
email para contactos: euelesnosevoces@gmail.com

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Por favor, NÃO ME MALTRATES MAIS!


Assustador!

Hoje de tarde fui a uma turma do primeiro ciclo e na sequência de um exercício de resolução de problemas espontaneamente um dos miúdos começou a contar algumas das suas vivências familiares.

Seguiu-se uma e outra e outra e tantas...

Partilho com vocês o que estes pequenotes de 6 anos contaram....

- "o meu pai está sempre ao telemóvel... quando lhe pergunto alguma coisa diz: espera, espera"...
- "a minha mãe está sempre a trabalhar"...
- "eles não têm tempo para vir à escola"...
- "se me porto mal é logo uma chapadona"..."
- "eu gostava de brincar mas eles não têm tempo para brincar comigo"...
- "o meu pai está sempre a dizer que quem manda lá em casa é só o homem"..

Digam-me, como podemos pedir, exigir bons comportamentos às nossas crianças se nós adultos, muitas vezes, somos modelos tão negativos.

As crianças de hoje são os adultos da amanhã. Não nos esqueçamos que todos nós enquanto agentes educativos temos uma responsabilidade social enorme. Grande, grande!

Apetece-me dizer: quando temos uma criança com problemas temos certamente um adulto em dificuldades!

Vale a pena pensar nisto!


a vossa psicóloga.
Encontram-me no 5 Sentidos |aqui|e no Centro Clínico de Aveiro
euelesnosevoces@gmail.com

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Como não como, como não como?!


The Marshmallow Test, conhecem?

Cada vez mais os miúdos são hiperestimulados e têm muita muita dificuldade em resistir "à tentação" e em saber esperar. Ficam frustados e quase sempre prevalece o prazer a curto prazo do que um bem maior se aguardarem a médio/longo prazo. É sobre isto que reflete o teste do Marshmallow. 

Foi pedido a crianças de 4/5 anos que perante um Marshmallow aguardassem até à vinda do adulto novamente na sala. Se o fizessem, receberiam outro Marshmallow (ficariam com dois e poderiam comer!), caso não aguardassem apenas teriam um...

Vejam o que acontece,

é delicioso!



a vossa psicóloga!


terça-feira, 15 de novembro de 2016

Uma palmada na hora certa...


- "Uma palmadinha na hora certa nunca fez mal a ninguém..."
- "Levei muitas e também aqui estou..."
- "Só se perdem as que caem no chão!"....

Qual de nós não ouviu já estas expressões e, se calhar, até já as aplicou!

Bem sei que o receio de falhar na educação dos filhos ou de não saber o que fazer no momento perante determinado comportamento e a exaustão nos leve, algumas vezes, a agir de forma mais irrefletida. 

No entanto, pensem... sentem-se bem com isso? Depois resulta? Os miúdos a seguir não repetem o comportamento indesejado? 

Repetem, não repetem ?...

Pois é, a verdade é que a boa da palmadinha resulta no momento mas a médio e longo prazo... sorry, não. E vocês bem sabem. Daí que depois se ouça dizer: "já fiz tudo e não resulta... já tirei o tablet, o futebol, o basket, bati e... nada... estou exausta". Sim, é isto. Uma sensação de cansaço e frustração, nossa e deles, havendo na verdade outros métodos que chegam ao fim que pretendemos, normalmente a obediência e cooperação, sem ser necessário o recurso à violência.

Educar significa pois orientar, encaminhar, dirigir, supervisionar, na verdade, como diz Joe Christen de onde veio a ideia maluca que educar rima como humilhar e maltratar.

Mais, ao bater, estou implicitamente a passar a mensagem que vence o mais forte e que é pela violência que se consegue o que se quer. Com efeito, se eu enquanto adulta não me consigo controlar como lhe posso exigir que ele o faça?

Lembrem-se: comportamento gera comportamento, logo, 

Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti!


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Acerca da Auto-Estima

A auto-estima é a estima que temos de nós próprios. No entanto, nem sempre o valor que nos damos é incondicional e muitas vezes fazemo-lo depender daquilo que alcançamos. 

Não só fazemos isto connosco como também o fazemos, infelizmente, com os miúdos.... que serão o futuro/os adultos do mundo de amanhã. Como sabem adultos seguros e felizes terão relações mais estáveis e duradouras e alcançarão melhores resultados o que não acontecerá com a tal "baixa auto-estima".

Assim, independentemente de ter feito algo negativo ou positivo ou de sentir alegria ou tristeza, não deixe que isso altere a forma como se vê e o valor que se dá. Passe esta mensagem também aos seus filhotes e aqueles com quem convive. Na verdade, não ter uma auto-estima contingente do que se faz ou do que se alcança deixar-nos-á a todos bem mais felizes e realizados!!!

já pensaram nisto?


a vossa psicóloga

Fonte da imagem: pinterest

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

10 Dicas para um desfralde bem sucedido!

Agora que chegaram os dias quentinhos e que as férias estão à porta muitas mamãs e papás dão início a uma importante etapa desenvolvimental dos seus filhotes e que representa um passo de gigante ao nível da autonomia: o desfralde.

Antes de deixar algumas dicas que irão ajudar bastante a esta tarefa que promete requerer boas doses de paciência é importante refletir se estará preparado para tal. Sim, pai/mãe está preparado? Esta reflexão mostra-se o primeiro passo a ser dado já que a ansiedade, a falta de paciência e o aumento dos níveis de frustração dos pais irão dificultar esta fase de transição.

Boa, sente-se pronto a retirar a fralda do seu príncipe/princesa. Então, vamos a isto!!!

1.      Esteja atento aos sinais. Mais do que uma idade certa para iniciar o desfralde, o importante é estar atento aos sinais de que o seu bebé já se encontra preparado para iniciar este treino. Quando a criança avisa que tem xixi ou cocó, quando se mostra desconfortável pela fralda suja, quando consegue perceber e respeitar ordens simples e quando revela maturidade para esperar e permanecer quieta num mesmo lugar então podemos pensar que é a hora certa.

2.         Selecione o material adequado.  Entre os redutores de sanita ou os bacios a escolha deve recair naquele que permitem à criança estar mais confortável. Se os redutores facilitam a vida aos pais pela não necessidade de lavagens constantes a verdade é que a maioria das crianças demonstra algum medo de cair pelo que habitualmente os bacios cumprem muitíssimo bem a sua função. Aaahhh, invista num apelativo. Vai ver que a criança terá mais vontade em se sentar e permanecer por lá.

3.        Roupa e meteorologia.  A chegada do Verão permite o uso de roupas mais leves e confortáveis e por isso o processo de despir estará bastante facilitado. Já para não falar que é bem mais fácil lavar e “resolver” os pequenos descuidos que irão ocorrer. Favoreça peças com elástico na cintura porque são bem práticas na hora de retirar rapidamente.

4.          Envolva-os no processo. É importante que seja explicado à criança todo o processo que se irá desenrolar, qual o objetivo e quais os ganhos. Deixe-os escolher as suas novas cuequinhas com  aqueles desenhos animados que eles adoram. Sentir-se-ão bem mais motivados para deixar a fralda.

5.          Transforme numa brincadeira. E porque não transformar o desfralde num jogo?? Um jogo só jogado por meninos/meninas maiores que marcam pontos por cada vez que pedem para ir ao bacio. Será tão bom trocar estes pontos por uma atividade que eles adorem!!!

6.     Arranje aliados de peso. Filmes ou livros sobre a temática podem ser aliados importantes pois ajudam a criança a concretizar melhor toda a situação e a identificar-se com as personagens.

7.             Paciência. Se em alguns casos o processo de desfralde ocorre de forma natural e se dá em poucos dias a verdade é que, por vezes, pode demorar bem mais. O importante é ser consistente e paciente. Vai compensar!!!

8.            E se não estiver a correr bem??? Caso verifique que a criança ainda não se encontra preparada, se perceber que não tem a disponibilidade de tempo ou psicológica para ajudar ou caso se verifique uma alteração importante na rotina (p.e. chegada de um irmãozinho) talvez seja melhor adiar esta tarefa para uma altura em que todos estejam mais predispostos e motivados. 

9.      Não critique e não compare. É natural que no decorrer do processo de desfralde ocorram alguns acidentes mas criticar ou julgar a criança apenas a levará a tornar-se insegura e a frustrar-se. Queremos a colaboração e o bem-estar da criança e por isso é importante respirar fundo e ter calma. Foi mais fácil com o irmão? Talvez, mas cada criança é única e cada uma tem tempos próprios para as suas aquisições.

10.    Amor, carinho, dedicação. Serão com certeza os aliados mais importantes neste processo. E devem ser usados e fomentados desde o nascimento da criança. Laços fortes são meio caminho andado para obter bons resultados.

Quando a tarefa estiver concluída alegre-se, o seu pequenote já deu mais um grande passo.... 

Ele e os papás estão de parabéns!!!!


Dr.ª Cátia Garcia
Psicóloga Clínica 5 Sentidos
Coordenação Técnica: Tatiana Louro e Teresa Sousa

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Emoções, emoções, emoções!

Numa altura em que cada vez mais se fala de inteligência emocional é importante que as nossas crianças percebam que existem emoções agradáveis e desagradáveis e que ambas desempenham um papel importante na nossa vida... se quisermos na nossa sobrevivência.

Se é real que não podemos escolher aquilo que sentimos é bem verdade que podemos escolher o que fazemos com o que sentimos isto é a forma como nos comportamos. É então esta capacidade de autoregulação - o que escolhemos fazer com as emoções - que diariamente | muitas vezes através do nosso modelo| lhes devemos ensinar pois, na verdade, temos um papel ativo na gestão das mesmas!

Não lhes peçam o que não são capazes de fazer.

|Maria fala baixo... quando eu estou a gritar!|
|Tomás, não se bate nos meninos... quando eu lhe costumo dar uma boa palmada|
|Francisco não vês que é feio mentir... quando acabei de dizer para não se contar à avó que não gostamos nada da sopa|

Mostrar-lhes que emoções desagradáveis não são necessariamente más e que diferentes pessoas sentem emoções diferentes é um desafio interessante e que, no futuro, lhes será muito positivo!!!

Se se interessarem por este tema espreitem o livro: As Emoções são nossas Amigas! da Porto Editora
cujo autor é Paulo Moreira. eswtá recheado de história deliciosas para crianças dos 7 aos 10 anos!


segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Como lidar com as birras! #Parte I

Deixem-me dizer-vos que os miúdos fazerem birra é normal. Sim, normal e adaptativo o que significa que faz parte do seu processo de crescimento e é expectável que a partir de determinada altura elas ocorram. 

Por si só não são sinônimo das nossas crianças serem mal-educadas, serem ditadoras ou até quem sabe, ET`s!!!

Só quem não tem filhos diria: "ai se fosse comigo ele não fazia uma birra assim!". Desenganem-se, eles fazem com todos nós e elas, as birras, ajudam-nos a organizarem-se e se quiserem a crescer!

No entanto, do mesmo modo que faz parte do seu papel enquanto crianças fazerem birras perante algo que os deixou frustrados, faz parte do nosso enquanto pais e educadores sabe-los orientar e direcionar para o que é certo.

Este post é então o primeiro de muitos para nos ajudar a lidar com estes ataques de fúria dos mais pequenotes.

É fundamental que ANTES de qualquer orientação, argumentação ou decisão os escutemos de verdade. Estejamos lá ao lado deles para perceber o que de facto os deixou tão desorganizados e perdidos. Escutá-los a Eles sem: "ahhh eu sei porque é que estás assim...", olhá-los nos olhos, cara a cara e ouvir deles a sua verdade, deixar que nos digam qual a sua visão, as suas razões, os seus motivos. Contudo, claro está que esta escuta ativa deverá suceder à nossa própria capacidade de autorregulação, isto é, de estarmos calmos, tranquilos e seguros e sabermos que aquele é o melhor caminho, o caminho que queremos percorrer, caso contrário acalmarmo-nos será a primeira tarefa a fazer. 

Lembrem-se, os miúdos precisam de regras e limites bem definidos com pais consistentes e firmes que estejam lá para ser o farol, 

mas disso falaremos mais tarde, num outro post!

Até já! *


A vossa psicóloga, TatIana LOuro
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